Doenças Psiquiátricas

Não és a doença, és o doente.
Não és o doente, és a pessoa.

É muito importante que percebas isto para que saibas que não é um livro de critérios diagnósticos para doenças que define o que tens ou o que és.

Há que olhar para as pessoas com algum tipo de patologia como um todo, com uma visão holística segundo o modelo biológico, psicológico, socio-económico e cultural.

Depressão

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O termo depressão é utilizado com frequência para se referir a qualquer um dos vários transtornos depressivos. Alguns estão classificados no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (DSM-5) por sintomas específicos:

  • Depressão Major;
  • Distimia (transtorno depressivo persistente);
  • Outros (transtorno disfórico pré-menstrual, transtorno depressivo decorrente de outra condição médica ou induzido por substância ou medicação).

A causa exata dos transtornos depressivos é desconhecida, mas há fatores genéticos e ambientais.

A hereditariedade explica cerca de metade da etiologia. 

Há também alterações dos níveis dos neurotransmissores, como desregulação dos neurotransmissores colinérgicos, catecolaminérgicos (noradrenérgicos e dopaminérgicos) glutamatérgicos e serotoninérgicos (5-hidroxitriptamina).

 

A desregulação neuroendócrina pode ser um fator, com fatores hormonais implicados.

Fatores psicossociais também parecem estar envolvidos.  Eventos adversos, separações, acidentes ou lutos mal resolvidos podem levar a depressão.

Pessoas que tiveram um episódio de depressão maior têm risco maior de episódios subsequentes. 

As mulheres têm risco maior.

Para o diagnóstico da depressão major ≥ 5 dos seguintes devem estar presentes quase todos os dias durante 2 semanas, e um deles deve ser humor deprimido ou perda de interesse ou prazer:

 

– Humor deprimido durante a maior parte do dia;

 

Diminuição acentuada do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades durante a maior parte do dia;

 

Ganho ou perda de peso significativo ou diminuição ou aumento do apetite;

 

Insónias ou sono a mais;

 

Agitação ou atraso psicomotor (muito agitado fisicamente ou lentificado) observado por outros (não auto-relatado);

 

Cansaço ou perda de energia;

– Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva;

 

Capacidade diminuída de pensar, concentrar-se ou tomas decisões;

 

Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, tentativa de suicídio ou ter um plano específico para o cometer.

Suporte

Psicoterapia

 

Fármacos

A depressão leve pode ser tratada com suporte geral e psicoterapia. A depressão moderada a grave é tratada com fármacos, psicoterapia ou ambos e, algumas vezes, eletroconvulsivoterapia. Alguns pacientes precisam de uma combinação de fármacos. A melhoria pode não ser aparente até e leva 4 semanas de tratamento com antidepressivos.

Muitas pessoas com depressão são tratadas ambulatorialmente. Pacientes com ideação suicida significativa, principalmente na ausência de suporte familiar, exigem hospitalização, assim como aqueles com sintomas psicóticos ou debilidade física.

Ansiedade

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As causas dos transtornos de ansiedade não são completamente conhecidas, mas pode haver o envolvimento de vários fatores:

 

  • Fatores genéticos (incluindo historia familiar de transtorno de ansiedade);
  • Ambiente (eventos traumáticos ou stress);
  • Constituição psicológica;
  • Doenças físicas;

Para que um médico diagnostique o transtorno de ansiedade generalizada, a pessoa precisa sentir uma preocupação ou ansiedade que é excessiva, diz respeito a diversas atividades e eventos e está presente mais dias do que o contrário durante seis meses ou mais.

Além disso, a pessoa precisa apresentar três ou mais dos sintomas:

  • Agitação ou uma sensação de tensão ou nervosismo
  • Tendência a cansar-se facilmente
  • Dificuldade de concentração
  • Irritabilidade
  • Tensão muscular
  • Distúrbio do sono
 

Antes de diagnosticar o transtorno de ansiedade generalizada, o médico realiza um exame físico. Ele pode solicitar exames sanguíneos ou outros para ter certeza de que os sintomas não são causados por uma doença física ou pelo uso de um medicamento ou droga.

Combinação entre alguma forma de psicoterapia e farmacoterapia. A psicoterapia pode abordar as causas que desencadeiam a ansiedade e fornecer mecanismos de superação.

Alguns antidepressivos, particularmente os inibidores de recaptação de serotonina seletivos (como escitalopram) e os inibidores de recaptação de serotonina-noradrenalina (como venlafaxina), são eficazes no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada. Geralmente, demora algumas semanas antes desses antidepressivos começarem a melhorar a ansiedade e, por isso, a pessoa recebe, de início, um benzodiazepínico juntamente com o antidepressivo. Os benzodiazepínicos são medicamentos ansiolíticos que melhoram a ansiedade rapidamente, em geral de forma imediata. Contudo, o uso prolongado de benzodiazepínicos pode causar dependência e esses medicamentos devem ser administrados, em geral, apenas por tempo limitado. Assim que o antidepressivo e a psicoterapia começarem a fazer efeito, é possível que a dose do benzodiazepínico comece a ser reduzida e, depois, suspensa. Os benzodiazepínicos não devem ser interrompidos abruptamente.

Como podemos lidar melhor com a ansiedade e o medo:


1 – parar de prever o pior, pensar no presente. Refutar ideias negativas automáticas e passar a ser o advogado do anjo, em vez do diabo. As ideias são apenas ideias, não são factos. Se as podemos filtrar, foquemo-nos na em prever coisas boas;
2 – procurar um sítio calmo, sem distrações, relaxar o corpo e pensar em cenários positivos/miniférias;
3 – respirar lentamente com a ajuda dos músculos abdominais, ajuda a controlar ataques de ansiedade ou pânico. Parar de respirar superficialmente e aprender a fazê-lo na sua plenitude.
4 – a meditação pode ser feita de mil e uma maneiras diferentes e por isso mesmo não se pode desanimar quando uma delas não resulta ad initium.
5 – parem de se preocupar com o que os outros pensam de vós. É necessário basear o nosso comportamento naquilo que nós pensamos e não no que os outros pensam;
6 – não ceder à raiva dos outros só porque isso nos deixa pouco à vontade. Não deixar que as opiniões dos outros controlem o que sentimos como pessoas. A nossa opinião tem que ser a que conta. Há que dizer o que queremos e defender o que cremos estar certo. Há que manter o autodomínio e ser simpático, se possível. Mas acima de tudo ser firme na posição tomada;
7 – usar fármacos: ansiolíticos como benzodiazepinas (que relaxam mas causam habituação), buspirona (não causa habituação mas demora muitas semanas até surtir efeito) e certos antidepressivos, estabilizadores de humor ou antipsicóticos em situações mais graves. Não há problema em ter suporte químico quando nada mais funciona;
8 – os episódios de hipoglicémia (falta de açúcar no sangue) pioram a ansiedade. Há que eliminar a cafeína e também não é má ideia eliminar o álcool. Há preparados herbais que têm um grau de efeito calmante e as vitaminas do complexo B (especialmente B6) são recomendadas. Os chás de camomila e alfazema também são calmantes.

Não há só medicina, só mente, só espírito ou só corpo. Não há só a opinião do médico, do vizinho ou do primo que já teve ansiedade. Há uma multiplicidade de coisas que podem e devem ser feitas. (Baseado no livro mude de cérebro, mude de vida, do Dr.Daniel G.Amen – capítulo 6)

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