Doença Crónica e Saúde Mental

Esta semana falámos de doenças crónicas e do seu impacto ao nível da saúde mental. Uma doença crónica é uma doença que apresenta várias características entre as quais a sua permanência, isto é, muitas vezes não têm cura, provocam incapacidade no doente e exigem da sua parte uma grande adaptação com especial ênfase na reabilitação. Estes doentes necessitam muitas vezes de cuidados regulares pelo que a realidade de consultas e tratamentos passa a ser algo comum nas vidas das pessoas que sofrem com estas patologias. 

Ainda que exista uma grande variabilidade de doenças crónicas (por exemplo: cancro, diabetes, artrite reumatoide, hipertensão arterial, insuficiência renal crónica, obesidade entre outras) algo que é comum a todas elas é o impacto que têm na vida do paciente, ainda que o grau do impacto esteja associado, não só ao tipo de patologia, como também a características da própria pessoa e do seu contexto. O processo de adaptação às limitações e constrangimentos que a doença possa provocar à pessoa é gradual passando numa primeira fase pela aceitação da própria patologia. Este período de aceitação é fulcral para que, posteriormente, a pessoa tenha uma boa adesão ao tratamento e possa aos poucos adquirir uma maior qualidade de vida que, consequentemente, será protetora de alguns problemas do foro psíquico.

As doenças crónicas provocam alterações na vida da pessoa podendo levar a que esta tenha que modificar muitos dos seus hábitos nos mais variados contextos, quer seja a nível familiar, como laboral ou social. As mudanças exigidas pelo instalar da doença provocam muitas vezes desgaste no paciente que, por um lado, tem que atender aos tratamentos médicos e por outro, adaptar as suas rotinas e hábitos à sua condição. Este desgaste, não raras vezes, vem acompanhado de sintomatologia ansiosa e/ou depressiva, o que por sua vez ajuda a aumentar a perda de qualidade de vida da pessoa que sofre com doença crónica. 

Existem diversos fatores que podem ajudar ou prejudicar este processo de aceitação e adaptação à doença crónica. De facto, variáveis como a autoestima, o otimismo da pessoa, a espiritualidade e o suporte social são centrais para que o processo de aceitação e ajustamento da pessoa à doença seja feito da melhor forma ajudando a que a pessoa não desenvolva sintomatologia ansiosa ou depressiva. De referir que em vários estudos se conclui que pacientes com maiores níveis de otimismo e autoestima, que recorram à sua espiritualidade e a cultivem, bem como, apresentem uma boa rede de suporte social e a percebam como disponível são pessoas que, aquando um diagnóstico de doença crónica, têm mais ferramentas para se adaptarem a ela. 

Por último, importa referir que, estas ferramentas para lidar com o stress advindo da adaptação a uma doença crónica podem ser adquiridas sem que para tal tenha que haver sintomatologia psíquica. Assim, se tem ou conhece quem tenha uma doença crónica e esteja a ter muitas dificuldades no processo de adaptação à mesma, sentindo muitas vezes que é “demasiada coisa para lidar” procure ou aconselhe a pessoa a pedir ajuda psicológica. Um psicólogo pode ajudar a um maior equilíbrio no processo de adaptação e a que este diagnóstico tenha um menor impacto ao nível da saúde mental.

 

Departamento de Pedagogia e Formação – Inês Freitas e Violeta Oliveira

 

 

Copyright © 2019 Pacifico. Developed by OvaTheme