Consumismo e Compras Conscientes

Faltam dez dias para o Natal. Diante de tanto incentivo, é difícil passar por este período sem fazer gastos. O ato de comprar um presente (quer seja para si próprio quer seja para oferecer a alguém) ou o ato de conseguir comprar o que nos permite suprimir as nossas necessidades básicas traz-nos conforto e felicidade. Contudo, nem sempre a compra está associada a emoções positivas e ao bem-estar. A compra compulsiva poderá ser definida como o ato pelo qual um indivíduo compra mais do que seria necessário para suprimir as suas necessidades e de igual modo comprar acima do que é permitido pelos recursos que a pessoa dispõe. Por aqui se compreende que a compulsão nas compras poderá ser encarada enquanto uma perturbação no controlo dos impulsos que leva a pessoa a sentir-se impelida para comprar (seja o que for) como forma de autorregulação. Isto é, sempre que algo negativo acontece à pessoa esta compra precisamente para não se confrontar com sentimentos desagradáveis. Esta situação da compra compulsiva acaba por ser paradoxal, pois apesar da compra servir para regular a pessoa e trazer algo de positivo, na verdade na compra compulsiva como a pessoa compra acima dos seus recursos este comportamento acaba por ter consequências muito negativas a nível financeiro afetando, se for caso disso, também a família o que causa um mal-estar geral na vida do indivíduo. 

Por outro lado, a compra impulsiva, ou compra por impulso é um comportamento comum a todos nós. De facto, compra impulsiva pode ser definida como a tendência de comprar algo de uma forma não-planeada e espontânea sendo esta compra motivada pela proximidade do objeto, por variáveis emocionais e ainda pela perspetiva de felicidade que o produto lhe poderá dar. Assim, compreendemos que a compra por impulso ainda que muitas vezes confundida com a compra compulsiva apresenta diferenças notórias. Quem nunca comprou aquele pequeno chocolate ou um pacote de pastilhas elásticas nas caixas do supermercado simplesmente “porque sim” sem qualquer ponderação nessa decisão de comprar? A verdade é que compramos muitos produtos desta forma sem que isso nos traga mal-estar ou aos nossos círculos próximos. 

A compra compulsiva, pelo mal-estar que pode causar na vida da pessoa e do seu entorno poderá ser visto como um comportamento patológico, já que a pessoa reage caso esteja algum tempo sem comprar ou sem poder comprar e também porque este comportamento serve o propósito de ajudar a pessoa a lidar de certa forma com o que sente, ainda que não seja uma maneira construtiva de o fazer. Assim, é importante que compreendamos bastante bem as diferenças entre o que é ou não doença para que possamos pedir ajuda o mais rapidamente possível. De facto, a compulsão é passível de ser trabalhada em intervenção psicológica, fomentando o desenvolvimento de técnicas de coping e ajudando a pessoa aos poucos a resignificar este comportamento e o que traz à sua vida. Como alternativa à compra compulsiva e à compra impulsiva surge a compra consciente. 

Mas afinal, o que é a compra consciente?

A compra consciente é um modelo que se opõe à tendência do consumismo. Em vez de comprar o máximo de coisas quanto possível, mesmo sem precisar delas, a compra consciente procura a reflexão. Nesse sentido, são feitas algumas questões, como: A compra que  pretende fazer é necessária e/ou indispensável?; Pode pagar essa compra?; Há alguma alternativa a essa compra? Assim, substitui-se o modo automático de comprar por comprar por uma reflexão mais aprofundada de qual é o impacto e a necessidade daquela compra.

A compra consciente traz benefícios para quem compra, para o meio ambiente e para a sociedade em geral. Do ponto de vista do indivíduo, uma pessoa que compra de maneira consciente gasta menos dinheiro e acumula menos coisas. Isto leva a uma vida mais funcional e menos repleta de contas e de itens inúteis. Para o meio ambiente,  diminui a necessidade de exploração de matéria-prima e diminui a quantidade de lixo produzido. Já para a sociedade, essa compra reavalia e dá novo significado ao poder de compra e de posse, gerando uma relação mais benéfica com o consumo.

Desta forma, deixamos algumas dicas que poderão ser benéficas para a prática de compras conscientes mesmo nesta época em que a azáfama se instala no ar, como é o caso do Natal:

     – Reflita: Antes de comprar, reflita se realmente necessita disso. Se sim, para quando precisa? Talvez não precise de comprar agora.

     – Compreenda as suas emoções: Quando decide comprar, costuma estar feliz ou triste? As nossas emoções por vezes determinam o nosso comportamento nas compras. Tente compreender as suas emoções e estar neutro na altura das compras.

     – Não tenha pressa: a ansiedade de querer comprar na hora pode levar a que compre algo que não necessite. Pare, respire fundo, acalme-se e reflita, porque comprar por impulso não é saudável para a sua saúde mental, nem para as suas finanças.

     – Planeie a compra: Faça uma lista do que necessita e foque-se nela, se ficar tentad@ para comprar algo, lembre-se se não está na lista não é algo que necessite. O planeamento ajuda também no controlo das suas finanças.

     – Controle as suas finanças: através deste controlo consegue identificar a entrada e saída do seu dinheiro e planear as suas futuras aquisições, estabelecendo um orçamento realista.

     – Evite excessos – geralmente em datas comemorativas somos bombardeados com promoções e ofertas irresistíveis, contudo é importante que apenas compre o essencial e que evite compras em grandes quantidades.

 

Departamento de Pedagogia e Formação – Inês Freitas, Neuza Noronha e Violeta Oliveira

 

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