A Ansiedade

     A ansiedade é uma sensação natural no ser humano, e pode ser muito benéfica para a nossa vida. Motiva-nos a dar a o nosso melhor quando temos tarefas importantes a realizar ou pensamos sobre problemas antes deles acontecerem, deixando-nos mais preparados para reagir de forma adequada, fazendo com que consigamos evitar situações que consideremos perigosas ou que afetem o nosso bem-estar. No entanto, tudo o que é demais faz mal. Quando começa a ficar muito intensa e frequente torna-se insuportável e até patológica, tornando-se desadaptativa e disfuncional, podendo ser necessário apoio e acompanhamento psicológico para a conseguir ultrapassar.

     Mas vamos então por partes!

     Qual a diferença entre ansiedade e medo? Bem, a ansiedade é relativa à perceção de uma ameaça futura, é uma preocupação sobre um problema futuro e que nos deixa mais cautelosos/evitantes; enquanto o medo é uma reação a uma ameaça detetada no presente que desperta em nós uma maior atenção ao meio em que estamos. Portanto, conseguimos perceber os seus benefícios, quando regulada e em situações específicas.

     Então qual é então o “problema” da ansiedade? Ainda que possa ser bastante útil, o que acontece é que a ansiedade pode ser sentida de forma negativa e disruptiva, tornando-se excessiva e não desaparecendo facilmente, levando a detetar perigo onde não existe. Em resposta, o evitamento passa a ser um comportamento típico para tentar reduzir esta sensação. Este evitamento não é saudável, pois não permite às pessoas enfrentarem as suas preocupações e perceberem que o risco e a insegurança não eram de facto iminentes, mas sim uma resposta desadequada ao meio, intensificando a ansiedade em situações futuras. Em casos extremos a pessoa passa a viver nesse estado de evitamento constante e a ansiedade predomina na vida do indivíduo, chegando a ser desorganizadora do comportamento normativo. O indivíduo deixa de conseguir ter uma vida organizada e com reações adequadas ao meio, sentido todas as situações que o rodeiam com extrema intensidade e negatividade. As atividades banais do dia-a-dia passam a ser um desafio e as relações interpessoais um obstáculo ao seu bem-estar. Apesar de não serem entendidas no quadro clínico como tão graves quanto outros distúrbios, a verdade é que a médio-longo prazo os efeitos consequentes da ansiedade podem trazer graves problemas de adaptabilidade e vivência para o indivíduo, limitando as suas capacidades sociais e psicossociais. É ainda importante referir que muitas perturbações de ansiedade ocorrem em comorbilidade com outras perturbações (depressão, OCD, PTSD) podendo ser indicadores destas ou da sua gravidade.

     A perturbação de ansiedade é complexa, e os seus sintomas podem variar de ligeiros a graves, dependendo da sua intensidade e duração. No entanto, podem trazer graves consequências aos indivíduos. Deixamos-te alguns sinais a que deves estar atento:

          – Problemas de sono e apetite

          – Evitamento de situações – não querer sair de casa ou com os amigos, evitar sítios fechados com muita gente (transportes, centros comerciais, etc)

          – Respiração acelerada ou hiperventilação

          – Preocupação excessiva

          – Pensamentos intrusivos – não conseguir pensar em outra coisa se não a situação; detetar perigo em muita coisa;

          – Comportamentos compulsivos – comportamentos que fazemos de forma consecutiva, quase como uma superstição ou uma forma de evitamento

     Existem algumas estratégias que podem ajudar a prevenir crises de ansiedade e aliviar certos sintomas que possas ter, deixamos-te então algumas maneiras de lidar com estes momentos mais ansiogénicos:

          – Técnicas de relaxamento: por exemplo, a técnica de respiração diafragmática profunda ajuda a diminuir a frequência cardíaca, a pressão arterial e a lidar com o stress, permitindo alcançar um estado de relaxamento tranquilizador. Outras técnicas como a da imaginação guiada por imagens (imaginar um jardim repousante ou a praia favorita) são técnicas de uso fácil e ao alcance de todos e contribuem para o alívio do stress.

          – Mindfulness, meditação e yoga: aumentam a capacidade de autocontrolo e autoconhecimento com diminuição do stress associado às crises de ansiedade e uma maior capacidade de apreciar aquilo que traz felicidade e bem-estar.

          – Exercício, dieta saudável e descanso: devem sempre fazer parte da vida diária, mas são particularmente importantes para quem sofre de ansiedade. O exercício diminui as hormonas associadas ao stress e promove a saúde e o bem-estar generalizado. Na alimentação diária devem ser evitados alimentos com cafeína ou álcool e privilegiado o consumo de alimentos ricos em omega-3. A falta de descanso e de sono reparador são também promotores de stress.

           – Autoconhecimento: aprender a identificar o que provoca crises de ansiedade é a forma mais eficaz de as evitar. Analise o seu dia-a-dia e registe num diário o que lhe provoca ansiedade. Partilhe com amigos e familiares as suas preocupações e procure ajuda profissional, de modo a saber como lidar com a ansiedade.

 

Departamento de Pedagogia e Formação – Inês Costa e Maria Ana Coelho

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