A Psicoterapia

A palavra psicoterapia deriva de Psyche (mente) e therapeuein (curar). Assim, falamos de uma terapia cuja finalidade passa por tratar questões e problemas da mente, como por exemplo perturbações psicológicas ou problemas normativos como dificuldades conjugais, profissionais, entre outros. Um psicólogo ou psicoterapeuta, em conjunto com o paciente, trabalha esses problemas e ajuda nas reflexões e autoconhecimento. Assim, através da psicoterapia, ajuda o paciente a atingir os seus objetivos e a responder às suas próprias questões, contribuindo para um aumento do bem-estar e felicidade do mesmo.

Como já foi referido anteriormente, a psicoterapia é um processo colaborativo entre o paciente e o psicólogo, com base no diálogo num espaço seguro e apoiante. Este processo deve ser objetivo e sem julgamento, numa base de reciprocidade e entendimento, trabalhando conjuntamente para identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento. Aquando do fim da terapia, poderás sentir que sais com o problema inicial resolvido bem como uma vasta rede de habilidades e mecanismos de coping para lidar melhor com futuros desafios.

O estigma, tema que abordamos fortemente o mês passado, não se limita às perturbações e tudo o que estas englobam. Estende-se à própria psicoterapia, por isso muitas pessoas sentem-se relutantes em começar este processo. Muitas vezes porque não sabem o que esperar e questionam a veracidade e a eficácia. Outras vezes porque, ainda que saibam o quão bom e benéfico seria para elas, questionam o que quem está à volta pensará. Mesmo sabendo os benefícios e conseguindo diferenciar a realidade e mitos sobre a psicoterapia, muitos indivíduos sentem-se desconfortáveis ou pouco capacitados para a introspeção, para olhar para o seu interior e chegar a particularidades guardadas dentro de si. Sinais de depressão, ansiedade ou irritação frequente são problemas que conduzem os indivíduos a recorrer a ajuda profissional, bem como o diagnóstico de doença crónica, caso esta interfira no bem-estar físico e emocional do paciente. Alguns ainda recorrem à psicoterapia, após o aparecimento de um problema a curto prazo, que precise de uma orientação técnica profissional, no sentido de orientar para a melhoria da saúde mental.

A psicoterapia pode variar na sua duração, contudo, desde o início que é delineado o tempo e os objetivos específicos da terapia, cumprindo ajustes e pareceres tanto do profissional como do indivíduo. Na primeira consulta é estabelecido o contrato terapêutico e o terapeuta dialoga com o paciente sobre os temas que irão ser abordados em futuras sessões, feito no seguimento das preocupações do cliente e sempre em parceria. A terapia não é uma mera conversa em que o psicólogo dita saberes. A terapia tem uma base relacional e mútua em que ambas as partes são ouvidas e respeitadas. No seguimento do processo terapêutico, o foco é a resolução de problemas e atingir os objetivos necessários. Algumas abordagens são de curto prazo e duram menos de um ano.

Para a pessoa sentir uma mudança e entender os benefícios da psicoterapia, é importante que seja a mesma a procurar a ajuda que necessita, trazendo consigo um forte desejo de mudar. Quando o desejo de mudança não se verifica, o trabalho terapêutico vai ser dificultado e possivelmente vai durar mais tempo uma vez que é necessário abordar assuntos adicionais, como compreender o porquê de ser necessária a mudança e, se tal não acontecer, que aspetos da nossa vida vão continuar a ser afetados. Quando se inicia a psicoterapia é importante também estar preparado para o desafio e para a superação dos nossos medos e ansiedades. É um processo de autoconhecimento e interajuda que nos torna mais resiliente e que nos permite uma maior compreensão de nós mesmos.

Mostramos-te agora algumas atividades interventivas do psicólogo, de forma a desmistificar o seu papel.

– Promover o diálogo

– Ligar pensamentos e sentimentos do paciente a experiências passadas e presentes

– Prestar atenção aos sentimentos que o paciente considera inaceitáveis

– Identificar manobras defensivas

– Focar-se na relação terapêutica

– Ligar aspetos da relação terapêutica com outras relações

– Interpretar (quando se justifique) desejos, sentimentos e pensamentos inconscientes

É necessário, desta maneira, uma co-construção criativa de significado. Mais uma vez relembramos que, este processo funciona na reciprocidade e mutualidade, sendo somente possível atribuir significados através do relacionamento e do diálogo. Devemos olhar, então, para o terapeuta como um próprio “ambiente facilitador” que vai moderar estas ligações entre acontecimentos e sentimentos do paciente.

A terapia tem um papel fundamental no bem-estar, no autodesenvolvimento, no autoconhecimento e na criação de um potencial individual para a continuidade. A relação é o que move o Ser Humano, devemos preservá-la. A ajuda profissional existe. Não hesites em procurá-la.

Departamento de Pedagogia e Formação – Filipa Mendes, Inês Freitas e Neuza Noronha 

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