Saúde mental: Estigma e relações com os mais próximos (Família e Amigos)

Todos nós podemos ser alvo de estigma, dado que podemos ser portadores de diversas características que podem ser consideradas “não normativas”. No entanto, hoje vamos falar do estigma associado à saúde mental: no contexto da saúde, a saúde mental é uma das áreas mais afetadas pela questão do estigma, acarretando consequências muito negativas para o quotidiano das pessoas que possuem uma doença mental. Este estigma, não acontece só por parte da sociedade no geral, mas também por parte dos mais próximos da pessoa que sofre com a perturbação, nomeadamente por parte dos amigos e familiares. Muitas vezes são atitudes realizadas inconscientemente, mas que para quem está do outro lado têm um enorme impacto. É importante que os familiares e amigos sejam encarados como uma rede de apoio e de ajuda, mas muitas vezes, devido a comentários estigmatizantes, as pessoas acabam por não falar com ninguém e evitar procurar ajuda precisamente para se tentarem resguardar e proteger desse tipo de comentários (que parecem muitas vezes inofensivos e nada maldosos…). É por isso que é tão importante compreender a importância da saúde mental, e respeitar e aceitar a perturbação do outro.

A família e o núcleo de amigos próximo são, muitas vezes, os mais suscetíveis de serem escolhidos para desabafar, partilhar sentimentos, e para pedir conselhos. Todos nós somos família e amigos de alguém, e qualquer um dos nossos familiares ou amigos podem precisar de nós e por isso é tão importante estarmos informados e percebermos a importância de respeitar os problemas ao invés de julgar e estigmatizar. O estigma, principalmente proveniente de pessoas próximas, proporciona um ambiente de vergonha, medo, que traz consequências negativas em vários aspetos da vida da pessoa. Os preconceitos estigmatizantes são fruto da ignorância e de uma consciência social moralmente negativa. São muitos os obstáculos para que os doentes que sofrem ou sofreram de doenças mentais têm de ultrapassar, no seu caminho para uma recuperação. A discriminação pode ser tão ou mais incapacitante do que a própria doença!

Antes de mais, temos de ter em conta que viver próximo de alguém que sofre de um problema mental, requer compreensão, aceitação e apoio. Respeitar a dor do outro, não julgar e mostrar-se disponível, são atitudes simples e que podem mudar vidas!

Muitas vezes caímos no erro de desvalorizar o problema do outro (utilizando comentários estigmatizantes e preconceituosos, mesmo que inconscientemente), acabando por transparecer isso para quem está a sofrer e fazendo a pessoa sentir-se inferior. Uma depressão não é só um dia mau; ser bipolar não é só mudar regularmente de humor ou sintomas de TPM; esquizofrenia não é sinónimo de loucura – substitui comentários deste género por frases de apoio ou, simplesmente, por uma escuta ativa; incentiva a pessoa próxima de ti a procurar ajuda profissional especializada, fazendo-a sentir-se válida e aceite. Se um amigo ou um familiar te dissesse que está com problemas de coração, não ias dizer que eram coisas da cabeça dele, certo? Então não o faças com problemas de foro psicológico!

Mantém-te informado, a informação é a melhor arma de combate ao estigma! E usa essa informação como ferramenta de ajuda. Ser amigo e ser família é ser ombro amigo, ser apoio e porto seguro, cabe a ti garantir que não aconteça o contrário.

Estratégias para combater o estigma nos relacionamentos próximos:

– Procurar compreender a complexidade da saúde e da doença mental, recorrendo a fontes credíveis de informação;

– Respeitar a doença mental, como respeitas todas as outras doenças;

– Desafiar as atitudes estigmatizantes dos outros, nomeadamente no grupo de amigos e no seio familiar, por exemplo corrigindo comentários discriminatórios;

– Pensar nas palavras que utilizas, evitando uma linguagem censuradora centrada na pessoa com uma doença mental;

– Não desvalorizar a dor ou os sentimentos da pessoa que sofre de uma doença mental;

– Optar por uma atitude integradora, em vez de afastar marginalizando;

– Reconhecer que ter uma doença mental não é sinónimo de ser doente mental: ter uma doença mental é apenas uma das caraterísticas da pessoa, pelo que não a define.

Departamento de Pedagogia e Formação – Filipa Mendes, Inês Freitas e Neuza Noronha 

Copyright © 2019 Pacifico. Developed by OvaTheme