Fobias

Por vezes, sentimos medo de algo, seja de um objeto ou de uma situação. Quando estamos perante algo que nos assusta e que, a nosso ver, é ameaçador, o nosso cérebro emite sinais de alerta e prepara-nos para a resposta a este estímulo. No entanto, quando o medo é excessivo, poderá evoluir para algo a que designamos por fobia. Sendo assim, como podemos fazer a distinção entre medos e fobias?

A determinada altura da vida, em certas ocasiões, todos temos medo de algo. O mesmo possui uma certa conotação protetora e faz parte da Natureza Humana. 

A fobia é uma perturbação psicológica que provoca sintomas físicos, causada pelo medo sentido relativamente a um objeto ou situação, medo este significativo e persistente, excessivo ou irracional. As reações que cada pessoa apresenta aquando da presença do foco da sua fobia são, geralmente, muito fortes, podendo ir da quase incapacidade para se movimentarem, permanecendo estáticos, até ao oposto, ficando numa agitação elevada, fugindo ou até mesmo gritando. Habitualmente os sintomas passam por repúdio, terror,  medo extremo, pavor, sintomas físicos de ansiedade, taquicardia, transpiração e tremores.

A principal diferença entre um medo com fundamento e uma fobia é o facto de, na segunda, o medo ser desproporcional à situação que o cria bem como a reação descontrolada e a emoção de pânico vivenciadas quando confrontados com o objeto ou situação fóbicos.

Habitualmente, quem padece de uma fobia, tem noção e reconhece o caráter ilógico do seu medo, ainda que o possam explicar num contexto de racionalidade.Um exemplo explicativo é a fobia a aviões, o indivíduo reconhece que tem esta fobia e explica-a, afirmando que o avião pode cair.  

As fobias podem ser de vários tipos: as fobias a estímulos externos e as fobias a estímulos internos. Inseridas nas primeiras, estão a fobia a animais, a agorafobia (medo de estar em lugares abertos e de situações geralmente associadas a estes lugares, como multidões, de uma eventual dificuldade em poder escapar com rapidez para um lugar seguro ou em que possa ser difícil obter ajuda, caso algo aconteça), a fobia social (medo persistente por uma ou mais situações públicas, nas quais o indivíduo se vê exposto a pessoas que não lhe são familiares ou que o podem sujeitar a uma avaliação) e as fobias específicas ( medo extremo de determinado objeto ou situação em específico). Inseridas nas segundas, estão as nosofobias (medo das doenças) e as fobias obsessivas. Todas estas poderão estar presentes em várias perturbações da ansiedade. De um ponto de vista mais científico, encontram-se agrupadas em cinco categorias: animais, ambiente natural (alturas, tempestades, água, entre outros), sangue, injeções e/ou ferimentos, situacional ( aviões, elevadores, lugares fechados, entre outros) e de outros tipos como fobia de se engasgar, de vomitar, de doenças, de ruídos altos, entre outros.

A consequência mais frequente nas fobias é o evitamento do que provoca o medo excessivo, uma vez que é a que tem mais impacto da nossa liberdade individual. Por vezes, há quem enfrente o seu medo, no entanto, revela bastante desconforto.

As fobias estão, muitas vezes, diretamente ligadas a traumas e situações passadas, uma vez que a maioria dos problemas emocionais e comportamentais é desencadeada por dificuldades que a pessoa vivenciou no decorrer da sua vida. Existem experiências que traumatizam, que geram gerações involuntárias e irracionais, evoluindo para um quadro fóbico.

A maioria das pessoas com fobias simples raramente procura ajuda e resolução para esses medos, talvez porque são medos a situações e contextos muito limitados, que podem ser evitados. O pânico apenas aparece quando confrontados com o objeto ou situação, ao vivo ou até mesmo em pensamentos ou imagens. No entanto, existem inúmeras fobias que, devido à frequência com que o indivíduo se depara com a situação ou objeto ao qual tem fobia, se tornam bastante limitadoras da autonomia de cada um, como por exemplo a fobia a cães ou gatos, que são animais que frequentemente encontramos na rua e que não podemos evitar.

 

Departamento de Pedagogia e Formação – Filipa Mendes, Inês Freitas e Neuza Noronha – 28 de Julho, 2020

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