Saúde mental dos idosos

Com mais de dois milhões de pessoas de 65 ou mais anos, o nosso País tem pelo menos 200 mil pessoas portadoras de demência, e mais de 150 mil idosos com depressão, muitos dos quais mal diagnosticados e insuficientemente tratados.

A depressão afecta 6 a 10% da população idosa em Portugal. Embora não existam estudos nacionais, estas são estimativas internacionais que os especialistas acreditam estar próximas da realidade.

As demências englobam os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais.

O sofrimento que causam essas perturbações, não só aos próprios doentes como aos seus familiares, impõe uma atitude que vá do diagnóstico precoce à terapêutica possível, não ignorando a prevenção.

Perante o cenário de aumento das doenças crónicas, associado ao aumento da esperança de vida, os serviços de saúde terão que se preparar para responder ao aumento rápido das situações de dependência física e psíquica dos mais velhos, geralmente associadas com carências de toda a ordem.

No entanto escasseiam os recursos institucionais, não há estruturas e formas eficazes de cooperação com os serviços sociais, e faltam, principalmente, profissionais devidamente habilitados.

A geriatria ainda não é considerada uma especialidade médica, sendo apenas uma sub-especialidade de outras. É urgente formar profissionais qualificados para problemas específicos do envelhecimento e respetivas doenças.

As perturbações do sono são frequentes entre os idosos. Os estudos revelam que cerca de 5% da população mundial de adultos sofre de insónias e 20% de disfunções relacionadas com a apneia do sono. São números preocupantes, tendo em conta a importância do sono para a saúde do nosso organismo.

A insónia é definida como uma dificuldade em iniciar o sono ou manter o sono por períodos alargados de tempo.

Algumas consequências são:
As pessoas que sofrem de insónias e não tratam têm uma probabilidade 23% superior à restante população de desenvolver depressões e sintomas depressivos;
Aumento do risco de problemas cardíacos;
Diminuição generalizada da qualidade de vida;
Estudos recentes revelam que sintomas de insónia podem levar a um aumento do risco de cancro na próstata.

É importante refletir sobre a dicotomia das insónias e depressão: um indivíduo com depressão tem uma maior tendência a ter insónias e um indivíduo com insónias tem uma maior tendência a ter depressões. Como tal, a determinação da causa-efeito é essencial para o tratamento correto de ambas as patologias.

É muito importante não ignorar este problema de sono uma vez que a higiene de sono é fundamental para mantermos a saúde mental.

E o que é a demência?
Demência é o termo utilizado para descrever os sintomas de um grupo alargado de doenças que causam um declínio progressivo no funcionamento da pessoa. É um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais.

Quem desenvolve Demência?
Apesar da maioria das pessoas com demência ser idosa, é importante salientar que nem todas as pessoas idosas desenvolvem demência e que esta não faz parte do processo de envelhecimento natural. A demência pode surgir em qualquer pessoa, mas é mais frequente a partir dos 65 anos. Em algumas situações pode ocorrer em pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos.

O ato de cuidar de idosos dependentes no domicílio é uma tarefa cada vez mais frequente para as famílias que, nesse cenário, vivenciam contextos de fragilidades física, financeira e social, além de implicações na saúde mental do cuidador. 

Culturalmente, essas pessoas, chamadas cuidadores, são, na sua maioria, mulheres que atuam como protagonistas anónimas nessa nova esfera de cuidados, o domicílio, onde estão presentes também dimensões emocionais e afetivas. Sentimentos de desespero, cansaço, ansiedade, angústia, desamparo são frequentes nas famílias de cuidadores de doentes crónicos e graves.

Essa atribuição de cuidar é esperada pela sociedade mas é importante destacar que esses cuidadores são potenciais doentes, e sua capacidade funcional está constantemente em risco, uma vez que são pessoas comuns que, de um momento para outro, se veem na situação de cuidar de alguém que lhes é próximo.

Estudos revelam que cerca de 40% dos indivíduos com 65 anos ou mais de idade precisam de algum tipo de ajuda para realizar pelo menos uma tarefa, como fazer compras, cuidar das finanças, preparar refeições e limpar a casa.

Cerca de 10% requer auxílio para realizar tarefas básicas como tomar banho, vestir-se, ir à casa de banho, alimentar-se, sentar-se e levantar-se de cadeiras e camas. Para cada idoso com alta dependência que se encontra institucionalizado, há dois que estão a ser cuidados em casa pela família.

Há alguns sinais de alerta para cuidadores em stress:
    1.    Negação acerca da doença, da sua evolução e dos seus efeitos na pessoa diagnosticada. “ Eu sei que a minha mãe vai melhorar.”
        2.    Raiva  em relação à pessoa com demência ou outras pessoas, raiva por não existir uma cura ou pela falta de compreensão dos outros.
 “ Se ele perguntar novamente a mesma coisa, grito!”
        3.      Isolamento Social afastamento dos amigos e perda de interesse em atividades que antes gostava de fazer.
 “ Já não me apetece conviver com ninguém”.
    4.      Ansiedade por ter de enfrentar mais um dia em relação ao futuro.
“ O que vai acontecer quando ele precisar de mais cuidados do que aqueles que eu lhe posso dar? ”

5.      Depressão que afeta o bem estar e a capacidade de lidar com os desafios do dia-a.dia. 
  “ Já não quero saber. Tanto faz.”
        6.      Exaustão sensação de que parece impossível realizar as tarefas diárias necessárias.
 “ Estou demasiada cansada para isto. ”
       7.      Insónias causadas por uma lista interminável de preocupações.
   “ E se durante a noite ele se levanta e cai? ”
       8.      Irritabilidade que se se traduz em mau humor e provoca respostas e reações negativas.
      “ Deixem me em paz! ”
       9.      Falta de concentração que prejudica atividades do dia-a-dia
   “ Tenho andado tão ocupada que me esqueci que tinha um compromisso ”
       10.    Problemas de saúde que começam a comprometer o bem-estar físico e psicológico.
     “ Não me lembro da última vez que me senti bem.” ####### É assim importante estarmos também atentos aos cuidadores e à sua saúde. E é ainda mais necessário não ter medo de pedir ajuda! 

Considerando o paradigma social do envelhecimento e os reflexos na dimensão da saúde, surgiu, no campo da saúde pública, o conceito de capacidade funcional, para definir e operacionalizar saúde no idoso.

Apesar de a Organização Mundial de Saúde definir a saúde como um estado de bem-estar físico, social e mental, e não apenas ausência de doenças, uma nova maneira para quantificar saúde nos idosos era necessária. Em virtude desta definição ser mais holística e filosófica do que médica, o conceito de capacidade funcional torna-se mais adequado para nortear e adequar a assistência.

Neste sentido, a capacidade funcional diz respeito à habilidade que uma pessoa tem para realizar de forma autónoma as atividades consideradas fundamentais a sua sobrevivência, bem como a manutenção das suas relações sociais.

E quando esta capacidade diminuiu, são grandes os impactos na vida dos idosos mas também dos futuros cuidadores, que se têm que adaptar continuamente ao tipo de apoio que devem dar.

Simultaneamente, devem sempre a tentar promover a autonomia dos idosos, uma vez que não se deve tratar deles como se fossem crianças novamente, algo que é comum e lhes pode causar bastante sofrimento psicológico.

É importante estimulá-los a continuarem a exercitar-se, mesmo quando têm dores crónicas, fazendo exercício adequado às patologias e condição física.

É também relevante continuarem a sair de casa e a manterem relações sociais.

Em relação à reaprendizagem do idoso, há a crença instituída que ele, por problemas de memória imediata, passa a viver mais no passado, abolindo, muitas vezes, expectativas significativas em relação ao futuro, abdicando de sonhos ou objetivos. É falso que a capacidade cognitiva esteja aniquilada e pelo contrário, o idoso deve ser estimulado para continuar a raciocionar e manter a cabeça ativa.

A incapacidade é, na maioria dos casos, uma importante causa de problemas de saúde mental nos nossos idosos. Assim sendo, há que os estimular e não diminuir. Há que os capacitar em vez de deixar de parte. Há que ver para além das limitações. Tudo isto contribui significativamente para a melhoria da qualidade de vida dos nossos idosos.

Algumas dicas podem ajudar a preservar a saúde e aliviar a tarefa do cuidador:
• O cuidador deve contar com a ajuda de outras pessoas, como a ajuda da família, amigos ou vizinhos, definir dias e horários para cada um assumir parte dos cuidados. Essa parceria permite ao cuidador ter tempo livre para se cuidar, distrair-se e recuperar as energias gastas a cuidar do outro, pedindo ajuda sempre que algo não estiver bem.
• É fundamental que o cuidador reserve alguns momentos do seu dia para se cuidar, descansar, relaxar e praticar alguma atividade física e de lazer, tais como: caminhar, fazer ginástica, croché, tricô, pinturas, desenhos, dançar, etc…
• É importante ter rotinas de sono e manter uma vida saudável, com boa alimentação, fazendo ainda atividades físicas, como caminhadas e alongamentos, pois isso ajuda a reduzir o cansaço, tensão e esgotamento físico e mental, além de melhorar a circulação.
• A coluna e os ombros são muitas vezes alvo de patologias devido à sobrecarga de peso ao pegar do idoso. Assim sendo, é importante fazer reforço muscular nestas zonas, com exercícios específicos.
• É relevante desabafar sempre que necessário com amigos ou familiares mas não deixando que as conversas sobre o trabalho dominem os tempos livres ou sociais. Se o esgotamento emocional for demasiado grande e já tiver sintomas que causem sofrimento, é necessário não ter medo de procurar ajuda profissional para não prolongar o sofrimento.
• Existem algumas associações e grupos online de cuidadores onde se podem trocar dicas e encontrar bons grupos de suporte e ajuda.
• Ter noção dos limites e não exagerar na carga de cuidados e preocupações. É importante estimular a autonomia possível dos idosos e não achar que são incapazes para tudo, para benefício de ambos.

Fonte: geridoc.pt e relatório OCDE, alzheimerportugal.org

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