A crónica da terapeuta Rita - "Um dia na vida de uma terapeuta ocupacional"

Rita Araújo
Terapeuta Ocupacional

       Na crónica passada ficamos a saber que um Terapeuta Ocupacional é um profissional da área da saúde que pode atuar em diversas áreas como a pediatria, a reabilitação física, a saúde mental e a gerontologia.

       Hoje iremos centrar-nos sobre o que faz um Terapeuta Ocupacional que trabalhe na área da Saúde Mental, onde partilharei um pouco sobre minha experiência profissional.

       Nesta área, este profissional pode estar a desempenhar funções em Hospitais Públicos e Privados, em contexto de curto e longo internamento e ambulatório; Clínicas Privadas; Unidades e Equipas da Rede de Cuidados Continuados Integrados em Saúde Mental, como equipas de apoio domiciliário, unidades sócio-ocupacionais e unidades residenciais (residências de treino de autonomia, residências de apoio máximo, de apoio moderado e autónomas); Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) cuja sua atuação seja o apoio à pessoa com doença mental, entre outros.

        Nesta área, o Terapeuta Ocupacional tem como principal objetivo capacitar a pessoa com problema de saúde mental e, consequente, disfunção ocupacional para desempenhar, de forma satisfatória, ocupações significativas para si e que dão sentido à sua vida, promovendo a sua funcionalidade e autonomia, de modo a melhorar a sua saúde, bem-estar e qualidade de vida.

        A minha experiência enquanto Terapeuta Ocupacional foi desde sempre nesta área. Ao longo do meu percurso profissional, desempenhei funções nos serviços de psiquiatria de hospitais gerais, nos contextos de internamento e hospital de dia (ambulatório).

        Atualmente, encontro-me a desempenhar funções numa IPSS que desenvolve a sua atuação com pessoas com doença mental, compreendendo unidades hospitalares de curto e longo internamento, unidades residenciais e ainda um gabinete de serviços de saúde mental, nomeadamente, consultas de especialidade, equipa de apoio domiciliário, unidade sócio-ocupacional e formação e integração profissional.

        Nesta instituição somos três Terapeutas Ocupacionais a desempenhar funções, pelo que estamos afetas a diferentes serviços e integradas em várias equipas multidisciplinares que incluem psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, entre outros. Assim, eu desempenho funções nas Unidades de Longo Internamento e na Residência de Treino de Autonomia que se encontram nas instalações da Instituição e nas Residências Autónomas e Unidade Sócio-Ocupacional que se encontram na comunidade. Nestas valências, encontram-se pessoas com problemas de saúde mental que envolvem alterações emocionais, de pensamento e comportamento e, tal como cada pessoa é única, também a intervenção do Terapeuta Ocupacional nunca é igual de pessoa para pessoa, pois é sempre baseada nas suas necessidades, nas competências que precisa recuperar, nos seus interesses, nas ocupações que quer voltar a desempenhar, nos contextos onde se insere e nos seus objetivos de vida, de forma a atingir a sua recuperação.

        A minha prática diária passa então por avaliar a pessoa e definir, em conjunto com a mesma, o seu plano individual de intervenção, onde se encontra definido quais os objetivos que quer atingir no seu processo de recuperação e quais as estratégias e as abordagens que irão ser utilizadas para que tal aconteça. Dessas abordagens destacam-se a realização de sessões individuais e de grupo que permitam o treino de competências e a restauração da funcionalidade perdida, nomeadamente, estimulação cognitiva; treino de competências sociais; treino de resolução de problemas; treino de atividades básicas de vida diária, como comer, vestir-se, realizar a higiene pessoal, etc.; treino de atividades instrumentais de vida diária como preparação de refeições, realização de compras, gestão do dinheiro, gestão doméstica (tratamento de roupas, arrumação e limpeza de espaços, etc.); planeamento e gestão de rotinas em contexto habitacional; sessão em meio aquático; sessões de movimento e expressão corporal; estimulação sensorial e relaxamento.

        Além destas intervenções, são realizadas sessões de acompanhamento dos familiares e cuidadores, de forma a apoiá-los nas suas necessidades, pois estes são um apoio essencial no processo de recuperação da pessoa.

        Todas estas intervenções permitem que a pessoa vá restaurando competências e, consequentemente, se torne cada vez mais autónoma e com maior controlo sobre a sua própria vida, envolvendo-se em ocupações que são significativas para si e que esteja plenamente integrada nos contextos em que se insere, sem sofrer de descriminação.

         E não há nada mais gratificante do que chegar a casa, no fim de um dia de trabalho e perceber que fizemos a diferença na vida daquela pessoa, dando mais um passo em direção da sua recuperação.

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