Depressão Major e o seu Impacto

A depressão major é uma das perturbações que mais afeta a população mundial, com cada vez mais jovens, mesmo crianças e adolescentes, a apresentar sintomas. É caracterizada por sintomas físicos, como a fadiga, dores de cabeça e no corpo e alterações de peso, assim como por sintomas mentais (emocionais, de humor, pensamentos e comportamentais) nomeadamente dificuldades de concentração e memória, lentidão psicomotora (dos pensamentos e movimentos), alterações de sono, irritabilidade, sentimentos de impotência e desespero, desinteresse pelas coisas que mais gostava e até mesmo pensamentos suicidas e atos de auto-mutilação. Está muito associada a outras perturbações como a de ansiedade, comportamento alimentar e alccolismo/toxicodependência.
A depressão major pode manifestar-se por um episódio pontual na vida da pessoa, com a duração de algumas semanas, mas é mais frequente ocorrerem vários episódios ao longo da vida, podendo levar a uma forma mais crónica da depressão, a perturbação depressiva persistente (distimia), com sintomas depressivos de menor gravidade mas que se mantêm de forma persistente (pelo menos, dois anos). Apesar de ser menos incapacitante que a perturbação depressiva major, é um obstáculo ao bem-estar e ao funcionamento pleno da pessoa. É comum os doentes distímicos terem também episódios depressivos major em algum momento das suas vidas.
Mas mais que um conjunto de sintomas, a depressão é um problema que afeta toda a vida da pessoa que vive com ele e tem diversos impactos, quer no contexto intrapessoal (consigo mesma), como interpessoal (com os outros). Esta afeta a forma como a pessoa se sente em relação a si própria, como pensa e vê o mundo/pessoas que a rodeiam e até mesmo como lida e realiza atividade diárias e banais do dia-dia como dormir, alimentar-se e trabalhar. Para muitos, conseguir sair da cama é a sua maior conquista.
Apesar de haver um conjunto de características comuns associadas a esta perturbação, não existe uma forma única de viver a depressão. Há quem consiga aparentar um bom funcionamento no trabalho e um aparente bem-estar em situações sociais, mas continuam a sentir-se verdadeiramente deprimidas e sem interesse pela vida, manifestando-se em grande parte quando estão sozinhos. Por outro lado, há quem não consiga, de todo, colocar esta “máscara” e demonstre os sintomas de forma mais geral e constante.
Na perspetiva das pessoas que vivem com depressão, há questões muito sensíveis que influenciam e explicam o seu estado de humor generalizado e um agravamento da sintomatologia. Há muitas vezes sentimentos de culpa pelo que estão a passar, sensação de inferioridade em relação aos outros, que culmina numa baixa auto-estima e numa sensação de vazio e de pouca importância no mundo. Há como que uma perda de movimento interno e incapacidade de assimilar o instante imediato começa a privar a pessoa de um futuro, pela sua incapacidade de agir, física e psicologicamente. O indivíduo com depressão tem de ficar a assistir à continuação do mundo e a sua evolução a um passo veloz, não conseguindo acompanhar, acentuando as suas dificuldades e sofrimento, sentindo-se cada vez mais inferior. Isto leva a um avassalamento de sentimentos de inutilidade e pessimismo, principalmente ao comparar-se com o fluir normal dos outros no mundo, levando uma vida com movimento, ação e, muitas vezes, alegria. A partir daqui há uma sensação de se estar parado num tempo que não para por nós, num mundo que continua vibrante quando tudo o que há em nós é escuridão e falta de sentido – e é aqui que se começa a considerar a única solução que parece ser atingível – a morte.**
Ainda que não exista uma cura, existem inúmeros tratamentos para a depressão e que podem voltar a dar um rumo à vida de alguém com depressão. O tratamento mais usado é ainda o farmacológico, com recurso a medicamentos que atuam exclusivamente nos sintomas de Depressão. Mas mais que tratar sintomas, que tendem a ser comuns a todos as pessoas que sofrem desta perturbação, é essencial trabalhar as causas da depressão em cada um de forma personalizada e individual, sendo a Psicoterapia a vertente mais indicada e com maior sucesso terapêutico.

Departamento de Pedagogia e Formação – Inês Costa – 26 de Maio, 2020

**Prof. Dr. Carlos Mota Cardoso – O Deprimir (Análise Fenomenológica)

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