Dependência de Álcool e Drogas em tempo de Isolamento Social

O conceito de dependência pode ser definido como um padrão de consumo constituído por fenómenos comportamentais, fisiológicos e cognitivos, que se poderão desenvolver como consequência do consumo de álcool e substâncias psicoativas. Estes fenómenos, abrangem o descontrolo sobre o uso das substâncias, desejo intenso de consumir, manutenção do consumo independentemente das consequências, uma alta prioridade dada aos consumos, ao invés de outras atividades obrigatórias e um aumento da tolerância e sintomas de privação, quando o consumo é descontinuado.
Neste período de isolamento social que estamos a viver, no qual se verifica a falta de contacto social, a ausência de envolvimento na comunidade ou com o mundo exterior e a dificuldade de acesso a serviços, podem desenvolver-se reações de ansiedade, medo e angústia, bem como aborrecimento e solidão, que são prejudiciais para os indivíduos em geral, mas ainda mais para indivíduos dependentes de alguma substância. Por despoletar as reações referidas anteriormente, o isolamento pode ser acompanhado por alguns comportamentos de risco, sendo que o aumento do consumo de álcool e de substâncias psicoativas, são considerados os mais frequentes uma vez que ajudam a bloquear os sentimentos negativos, dando uma falsa sensação de bem-estar ao indivíduo. Contudo, este tipo de comportamentos compreende riscos, principalmente para quem sofre de dependências, uma vez que pode aumentar a probabilidade de recaída, de dificuldades para quem decidiu iniciar um processo de abstinência recentemente, pode levar também à abstinência forçada e à síndrome de privação de álcool.
No que remete para o consumo de drogas, devido ao confinamento, verifica-se um grande aumento. Porém, devido aos controlos policiais, durante esta fase, é de notar uma crescente falta de substâncias no mercado ilegal, sendo que esta dificuldade pode gerar quadros de abstinência, podendo levar a descompensações de patologias psiquiátricas, surtos psicóticos, alterações de comportamento e instabilidade emocional. Assim, um consumidor dependente, de droga ou álcool, que esteja a passar uma situação de confinamento e que não encontre formas de obter as substâncias que procura, pode desenvolver dificuldades em coabitar com outros familiares, havendo um aumento exponencial de tensão, o que pode provocar reações mais agressivas e levar a episódios de violência doméstica.
Consumidores frequentes que não conseguem arranjar a sua droga de eleição, refugiam-se muitas vezes no álcool, à procura de conforto ou forma de controlar o desejo, ingerindo muitas vezes “garrafa atrás de garrafa”, sendo que aumenta a probabilidade que o indivíduo para além da dependência de droga, fique também dependente do álcool. Por outro lado, há que fazer também uma chamada de atenção para o perigo de overdose neste período, uma vez que a procura, compra e o consumo de drogas aumentou e se verifica uma escassez na oferta, a pureza de drogas como heroína e cocaína está a diminuir. Os traficantes misturam estas drogas com outro tipo de substâncias para aumentar a quantidade do produto, sendo que os consumidores não sabem o que estão a consumir, aumentando o risco de overdose.
Em tom de conclusão podemos afirmar que o período que estamos a passar tem um grande impacto na nossa vida em geral, sendo que as pessoas procuram novas formas de aliviar o stress e ansiedade, recorrendo com maior frequência ao o álcool e drogas. Este tipo de comportamentos constitui um grande risco uma vez que indivíduos que não apresentavam qualquer tipo de dependências, as possam começar a desenvolver. Enquanto consumidores regulares, são confrontados com grandes desafios e perigos, como recaídas e overdoses. Contudo, este tipo de comportamentos é mais prevalente em adultos uma vez que, referente ao álcool, “beber um copo” ocorre com uma maior frequência. Podemos salientar também que ao contrário dos adultos, grande parte dos jovens reduziu o consumo de álcool e drogas, uma vez que esse tipo de consumos acontecia maioritariamente em contexto social, o que em tempo de confinamento não acontece.

Departamento de Pedagogia e Formação – Inês Freitas, Neuza Noronha – 01 de Maio, 2020

Copyright © 2019 Pacifico. Developed by OvaTheme