CYBERBULLYING, BULLYING E SAÚDE MENTAL

Um dos grandes problemas contemporâneos e, quiçá de toda a história do mundo, é a violência.
Manchetes como “Cinco Queixas por dia”, são motivo de notícia e de preocupação social.
O bullying é um fenómeno e um problema real com prevalência elevada e que compromete várias áreas da vida do sujeito, com gravissimas repercussões, especialmente, ao nível da formação da identidade.
Tratando-se de uma realidade, o bullying é transversal e não olha a estatuto económico ou estrato social. Tem tudo a ver com a exploração das fragilidades.
Importa reforçar o papel de cada um na luta contra este fenómeno e numa intervenção atempada e adequada que contenha, conheça e identifique o enquadramento da violência, principalmente, nas faixas etárias mais jovens.
Sabe-se que a saúde psicológica é uma área que se alicerça noutras grandes e impactantes áreas do Ser Humano e há que ter em consideração que 1 em cada 5 crianças/adolescentes apresenta problemas de saúde psicológica (com gravidade de sofrimento psicológico) que podem prevalecer na fase adulta e, assim, terem impacto no futuro.
Desta forma, actos de violência como os fenómenos de bullying, encontram-se estreitamente correlacionados com a saúde mental.
O bullying é um fenómeno comportamental e, também, social. É um acto que envolve um elevado grau de agressividade e tem como objectivo direccionar essa mesma agressividade para um objecto (aqui, objecto designa a pessoa alvo de violência), de modo a provocar-lhe sofrimento de ordem física ou mental. Este acto é intencional e de cariz repetitivo, que tem em conta os factores ‘tempo real’ e presencial e, onde, a identidade do agressor é conhecida. Pode ser exercido de forma verbal, física ou social.
No caminhar tecnológico e com o surgimento da realidade virtual que tão bem caracteriza os nossos tempos, o recurso a vias digitais e novas tecnologias fazem parte da nossa realidade, verificando-se como mais valias mas, também, dão abertura ao aparecimento de novas tendências para o exercício da violência e expressão da crueldade, tais como o cyberbullying.
O cyberbullying é uma forma derivada do bullying mas, tendo em conta o enquadramento da virtualidade e do recurso a novas tecnologias.
Tendo em consideração o espaço virtual como “um novo espaço”, diferente da realidade comungada por todos nós (socialmente partilhada), de presença virtual que possibilita “novos nós”, o espaço virtual é um espaço fértil à violência – pode ser considerado um lugar de violência.
Como já foi referido, o cyberbullying é um acto de violência extensivo ao bullying mas sob a condição das novas tecnologias e, faz uso do espaço virtual para ameaçar, intimidar, humilhar, difamar, roubar identidade, perseguir e violar a intimidade. Esta nova tendência é extremamente danosa. É um acto sem rosto e invisível, que rapidamente se difunde, que não tem relógio, permanente, e, que não reconhece fronteiras – extrapola-as.
Estes actos de violência permitem o discernimento claro de perfis, a saber: agressores, vítimas e testemunhas e, também, clarificam os seus papéis.
A intervenção é clara e objectivamente crucial. No entanto, há ainda outro factor que muito contribui, quer para a perpetuação do acto violento, quer para o incremento do sofrimento psicológico: o silêncio. Este, fundado na lei do medo.
O bullying e o cyberbullying têm consequências aos níveis do processo identitário e formação de identidade, da auto-estima, confiança e auto-conceito, rendimento escolar e aparecimento de quadros psicopatológicos, tais como os quadros ansiosos e depressivos (com ou sem ideação suicida) e outras perturbações nos sistemas fisiológicos, já para não falar do grande impacto no plano relacional, especificamente, ao nível das relações interpessoais.

Assim, traduzem-se as consequências numa polifonia emocional, visível em qualquer perfil dos intervenientes e, que se diversifica a nível expressivo, cognitivo, motivacional, fisiológico e subjectivo.
Os sentimentos experimentados pelas vítimas centram-se na vulnerabilidade, vergonha, medo, raiva, desejo de vingança e tristeza, já os agressores descrevem sentimentos de prazer (principalmente no domínio – prazer sádico), culpa, vergonha e indiferença.
Salienta-se que estas experiências, podem ser experimentadas inversamente sob a lógica do contrário. Isto, para reforçar que a violência gera ou pode gerar violência. Uma vítima pode sempre tornar-se num agressor e um agressor pode já ter sido uma vítima.
A sensibilização para estes temas e, consequente promoção e prevenção de comportamentos, é de máxima prioridade e deve sugerir debate e intervenção clínica-psicológica, psicopedagógica, pedagógica, médica e social.
O bullying e o cyberbullying, tratando-se de variáveis com impacto directo na saúde psicológica, devem ser tratadas como problemas reais, de pessoas reais e de jovens que são o futuro amanhã.
A saúde psicológica afirma-se no desenvolvimento psicológico, emocional, social, intelectual, relacional e moral, o que quer dizer que problemas que afectem o desenvolvimento/maturação das nossas crianças/adolescentes, têm consequências individuais/sociais incomensuráveis, com impacto directo na saúde, educação, justiça, economia e política.

Departamento de Pedagogia e Formação – Soraya Morais  – 13 de Abril, 2020 – No âmbito da semana da sensibilização para o bullying e cyberbullying

Copyright © 2019 Pacifico. Developed by OvaTheme